A Prefeitura do Careiro, homologou a Concorrência Eletrônica nº 002/2026 e oficializou a contratação de uma empresa para a construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS Porte I) no valor global de R$ 1.994.252,85, conforme despacho assinado pela prefeita Mara Alves (Republicanos) e publicado no Diário Oficial dos Municípios (DOM) nesta quinta-feira (5).
A obra será executada na Comunidade do Brasil, Paraná do Mamori, e ficará sob responsabilidade da empresa J R Lima Arruda, vencedora do certame. O processo administrativo nº 002/2026 sustenta que a licitação transcorreu com “plena regularidade”, sem recursos ou questionamentos pendentes, além de contar com parecer favorável da assessoria jurídica interna do próprio município.
Confira o documento
Apesar da formalidade do discurso administrativo, o contrato chama atenção pelo alto valor global, próximo de R$ 2 milhões, para a construção de uma UBS de Porte I, tipologia considerada básica dentro da rede de atenção primária. O despacho não apresenta, de forma objetiva, detalhamento de custos, metragem da unidade, capacidade de atendimento ou parâmetros comparativos de mercado, o que dificulta avaliar se o valor contratado é compatível com a realidade do município de Careiro Castanho.
LEIA MAIS: Prefeita Mara Alves vai gastar R$ 3,3 milhões para pavimentar único ramal no Careiro Castanho
Prefeita bate martelo e diz que Concorrência é inexistente de falhas 👀
Outro ponto sensível nessa contratação, é a concentração do poder decisório. O documento reforça reiteradamente a inexistência de falhas, recursos ou controvérsias, mas se baseia exclusivamente em análises internas da própria administração municipal, sem menção a auditorias independentes ou mecanismos adicionais de controle externo antes da homologação.
A decisão coloca a prefeita Mara Alves no centro da responsabilidade política pelo contrato. Em municípios do interior do Amazonas, obras de saúde com valores elevados costumam ser acompanhadas de aditivos contratuais, reprogramações de prazo e aumento do custo final, o que torna essencial o acompanhamento rigoroso por parte dos órgãos de controle e da sociedade.
Com a homologação concluída e a empresa convocada para assinatura do contrato, inicia-se agora a fase mais crítica do processo: a execução da obra. Caberá à gestão municipal demonstrar, com transparência e resultados concretos, que os quase R$ 2 milhões em recursos públicos resultarão em uma Unidade Básica de Saúde plenamente funcional, dentro do prazo e do custo previstos, e não em mais um investimento público cercado de dúvidas sobre economicidade, planejamento e fiscalização.

