Composta por 41 vereadores, a Câmara Municipal de Manaus (CMM) se especializou em acumular escândalos abalando a frágil credibilidade popular do Parlamento, marcado por muitos gastos e pouca produtividade. Os dois casos mais recentes foram a prisão do vereador Rosinaldo Bual (Agir), e uma grave denúncia de agressão doméstica contra o vereador Diego Afonso (UB). Em meio a essas denúncias, o presidente da Casa, vereador David Reis (Avante), foi acusado de conivência.
BUAL, RACHADINHA E MP
No caso do vereador Bual a prisão ocorreu há cinco meses em operação da Polícia Civil. O Parlamentar é denunciado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) por liderar suposto esquema de rachadinhas.
Crime em que um servidor é cooptado a repassar parte de seu salário de volta ao político contratante, a chamada “rachadinha” foi revelada na Operação “Face Oculta”, do Ministério Público do Amazonas (MPAM), deflagrada no dia 3 de outubro, que mandou o vereador Bual para a cadeia.
“O político, que ainda estava em posse irregular de arma de uso permitido no momento da prisão, responderá pelos crimes de peculato, concussão, associação criminosa e lavagem de dinheiro”, afirma o MP, que foi além.
“Segundo a apuração, o parlamentar obrigava seus servidores comissionados a devolver até metade do salário que recebiam. Para viabilizar a fraude, mantinha entre 40 e 50 assessores nomeados, número muito superior à real necessidade do gabinete, incluindo pessoas que sequer exerciam funções públicas compatíveis”.

No dia da operação, foram apreendidos três cofres — distribuídos entre a residência, o sítio do parlamentar e a casa da mãe —, bem como computadores, celulares e notebooks.
Bual foi afastado por 120 dias, teve ainda os sigilos bancários e telemáticos quebrados, bem como o bloqueio judicial de R$ 2,5 milhões.
Ele sempre negou as acuações. Em dezembro conseguiu habeas corpus e foi solto. Continua recebendo salário e marcando presença virtual, o que criou novo constrangimento no Parlamento.
Com uma pizza nas mãos, o vereador Rodrigo Guedes (Progressistas), denunciou, em novembro o silêncio dos vereadores para abrir o processo disciplinar que vai analisar a cassação do vereador Rosinaldo Bual.
O protesto ficou registrado, mas a “passada de pano” foi a única resposta da casa presidida por David Reis, acusado de conivência.

Diego Afonso acusado de agressão
O mais recente escândalo atende pelo nome de Diego Afonso. O vereador foi acusado e exposto pela esposa nas redes sociais.
Ingrid da Silveira Frota, denunciou na noite de segunda-feira (9), que ganhou medida protetiva na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM). “No âmbito da Lei Maria da Penha, foi concedida medida protetiva em meu favor, a qual resultou no afastamento do lar por determinação judicial, evidenciando que o Poder Judiciário reconheceu a gravidade dos fatos relatados”, afirma Ingrid.

Páginas de Instagram compartilharam um vídeo onde ela pula pela janela para dentro do escritório do vereador, supostamente para pegar provas contra ele.
Diego contra-atacou, alegando inocência, mas a essa altura o ‘estrago” na CMM já estava feito novamente. A mistura dos problemas do casal com a vida política voltou a levar a CMM para as páginas de polícia.

SILÊNCIO DE DAVID REIS
Cotado para ser candidato a deputado estadual no grupo do prefeito David Almeida (Avante), o vereador David Reis segue em silêncio. Além de não levar adiante o pedido de cassação de Bual, não agiu sobre o caso Diego Afonso.
Leia mais: CMM fecha 2025 com R$ 8,5 MI em contratos sem licitação sob comando de David Reis
E nem respondeu nossa equipe de reportagem, que tentou contato para que ele comente os dois casos e diga se pretende fazer algo para diminuir os impactos sobre o Parlamento.
Ficamos sem resposta. E o espaço aberto.


