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Maria do Carmo nega existência de emergência climática no AM e diz que só se fosse ‘tufões, furacões, cair nevasca’

A candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair (PL), causou polêmica durante entrevista à Rede Amazônica, ao negar que exista emergência climática no Estado. Apesar da Ciência apontar o maior El Niño dos últimos anos, das temperaturas elevadas, das queimadas e das recentes cheias históricas, ela disse que tudo isso sempre existiu.

“Quando tem seca e cheia, a gente não está falando de crise climática. Eu digo que crise climática aqui no Amazonas seria tufões, furacões, cair nevasca, algo surreal”, afirmou.

O QUE DIZ A CIÊNCIA

A escassez de chuvas na região amazônica deve continuar até o início do próximo ano, dificultando a recuperação do nível dos rios. O quadro atual sugere que a vazante pode atingir proporções históricas, impactando diretamente a logística regional e a vida das comunidades ribeirinhas e indígenas.

As informações foram divulgadas nesta terça-feira (1º), em Manaus, pelo SGB, o Serviço Geológico do Brasil, que usou cenários para estimar as cotas dos rios da região. Foi o que explicou o pesquisador da instituição André Martinelli:

“O alerta de vazante 2026 se propôs a montar cenários baseados nos anos em que tivemos uma grande interferência do El Niño, principalmente 2015, que foi o último grande El Niño, e o evento de 2023/2024, que foi um El Niño forte e que acabou trazendo as menores cotas registradas para a maioria das estações de monitoramento na bacia amazônica.”

Segundo as estimativas, se o El Niño for mais parecido com o de 2015, a capital amazonense enfrentará uma cota de 12,92 m; se for mais como 2024, ficará em 16,32 m.

André Martinelli destaca o que isso pode significar na prática para a região:

“São níveis baixos para a cidade de Manaus, que já trariam prejuízos na parte da logística e do polo industrial. Mas, obviamente, quando você baixa de 14 m, a gente vai para um nível mais extremo, vivenciando aquilo que foi visto em 2023 e 2024: as cenas de terra arrasada. Então, obviamente, esse cenário imitando as descidas de 2015 ficaria mais próximo desse cenário de extremo catastrófico.”

De acordo com o pesquisador do SGB, os cenários levaram em consideração três estações de referência: Tabatinga, por estar na parte mais alta do tronco principal da bacia, que é o Rio Solimões; Manaus, por ser a capital do estado e onde o período de seca traz as maiores consequências econômicas e socioambientais; e Itacoatiara, por ser um ponto muito importante para a logística do estado.

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, os dados servem para orientar gestores públicos e defesas civis estaduais e municipais em ações de redução dos impactos socioeconômicos e ambientais da estiagem na região amazônica.

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