Destaque Prefeitura de Manaus

Prefeito David Almeida é criticado por desorganização do Passo a Paço

A edição 2025 do Passo a Paço Sou Manaus 2025, no Centro Histórico da capital amazonense, foi marcada por uma série de problemas: uso de spray de pimenta contra o público, críticas à desvalorização de artistas locais e questionamentos sobre os gastos do evento, que não foram divulgados. A confusão se agravou quando policiais militares e agentes da Guarda Municipal lançaram spray contra cidadãos que estavam perto do palco principal, o Malcher, já superlotado. A medida, considerada abusiva diante de uma plateia formada por famílias e admiradores da música, expôs a população a riscos desnecessários. No espaço, se apresentavam três grandes atrações nacionais: Pablo do arrocha, Ivete Sangalo e Calcinha Preta.

Apesar do sistema de controle por pulseiras, que tinha como objetivo ordenar o acesso, inúmeros participantes relataram obstáculos para atravessar os portões e apontaram falhas na logística de circulação.

O prefeito apostou alto na distribuição de pulseiras para o Sou Manaus 2025, como se o espaço do Passo a Paço tivesse elasticidade infinita. O resultado foi previsível: superlotação, confusão e público amontoado em um local visivelmente menor do que a quantidade de pessoas autorizadas a entrar. No fim, sobrou pulseira e faltou planejamento.


Vídeos registrados no evento mostram a correria, o mal-estar do público e pessoas tentando proteger o rosto do produto químico. Alguns participantes precisaram de atendimento, e até quem estava afastado do tumulto sentiu os efeitos devido à dispersão do spray pelo vento.

O universitário Cristiano de Souza, presente no evento, afirmou ter sofrido irritações e queimaduras nos braços e ombros após a exposição ao spray de pimenta.

“Pegamos a pulseira, mas não conseguimos passar. Tinha idoso e criança passando mal, e mesmo assim jogaram spray de pimenta. Foi uma palhaçada”, relatou.

Público barrado

Além da população ser atingida com spray de pimenta e bombas de efeito moral por policiais militares que atuavam no local. Diversas pessoas foram impedidas de entrar na segunda noite do evento ‘Passo a Paço 2025’. O motivo: a superlotação no local.

A vendedora Cláudia Carvalho, que estava trabalhando em uma banca de bebidas na via de acesso ao palco, relatou ter perdido produtos e pertences pessoais durante a confusão.

“Roubaram minhas coisas, levaram bebida e até meu casaco. Quem vai pagar esse prejuízo? Ninguém. Foi uma falta de respeito com a população”, afirmou.

Em outra gravação, publicada nas redes sociais do vereador Rodrigo Guedes (Podemos), um manifestante exibe uma grande concentração de pessoas já portando a pulseira que assegurava acesso ao evento. Nas imagens, o prefeito de Manaus, David Almeida(Avante) é alvo de críticas e chega a ser chamado de “prefeito lambanceiro”.

Em declaração à imprensa, o diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Jender Lobato, alegou que indivíduos sem pulseira tentaram forçar a entrada no festival, o que teria motivado a ação policial com uso de spray de pimenta. Contudo, durante a entrevista, uma testemunha contestou a versão oficial e relatou que diversas pessoas devidamente identificadas com a pulseira foram barradas de forma truculenta ao tentar acessar o espaço.

Desvalorização dos artistas locais

As polêmicas no festival não se restringiram à ausência de valorização dos artistas regionais e à carência de atendimento médico. A programação, que de acordo com a Prefeitura de Manaus atraiu aproximadamente 600 mil pessoas ao longo de três dias, também foi marcada por episódios que despertaram revolta entre os presentes.

Em meio às críticas, um dos relatos que ganhou destaque foi o de Letícia Siqueira, filha da cantora amazonense Márcia Siqueira. Ela denunciou a falta de atendimento médico após a mãe passar mal durante a última noite do evento, no domingo (7). Segundo Letícia, a artista não recebeu assistência imediata e ambas precisaram, nas palavras da jovem, “se humilhar” para conseguir uma carona até um ponto de atendimento.

Em publicação nas redes sociais, Letícia criticou a organização do Passo a Paço 2025 pela demora no atendimento e pela ausência de profissionais de saúde nas imediações do local onde a cantora passou mal.

A filha de Márcia também apontou dificuldades com o estacionamento, que custava R$ 30 e estava localizado a uma distância considerável, enquanto, segundo ela, o trânsito era liberado apenas para “amigos do prefeito”. Letícia ainda criticou o que classificou como descaso com os artistas locais, comparando o tratamento recebido por eles ao prestígio conferido às atrações nacionais. “É assim que os artistas da terra eram tratados”, afirmou.

A discussão sobre a falta de reconhecimento dos artistas locais não é recente. Fred Farias, maestro e integrante do Fórum da Música Amazonense entidade que reúne mais de 250 profissionais já havia manifestado a insatisfação da classe. Ele contestou a declaração da prefeitura de que 2 mil artistas regionais teriam sido contratados para a edição de 2025 do festival. De acordo com Farias, a ausência de transparência e de diálogo por parte do prefeito David Almeida (Avante) em relação à identificação desses profissionais levantou questionamentos e críticas entre músicos e produtores culturais.

A insatisfação dos artistas locais também ganhou visibilidade no palco principal, durante a apresentação de Ivete Sangalo. Atenta às reclamações do público, a cantora fez um apelo direto ao prefeito David Almeida. “Eu estou aqui na cidade dela, tem que respeitar os artistas daqui. Tem que chamar pra cantar os artistas daqui”, declarou. Em gesto de apoio, Ivete convidou a artista amazonense Rebecca para dividir o palco, reforçando a necessidade de dar espaço e reconhecimento aos talentos da região.

Pronunciamento da Prefeitura

Em comunicado, a Prefeitura de Manaus, por intermédio do Centro de Cooperação da Cidade (CCC) e da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), declarou que suas equipes de patrulhamento “atuaram” para reforçar a segurança e auxiliar na triagem em pontos estratégicos do festival.

Segundo a nota divulgada, a interrupção temporária do acesso ao espaço teria como objetivo resguardar a integridade do público. Inicialmente, os agentes tentaram conter a aglomeração com orientações, mas, diante da resistência de parte da multidão — que reagiu arremessando pedras e garrafas —, a Polícia Militar e a Guarda Municipal recorreram ao uso da força. O comunicado afirma que os agentes aplicaram “medidas moderadas”, entre elas a dispersão com spray de pimenta, até restabelecer a ordem.

Na prática, a presença foi percebida como tímida e protocolar, limitada a ações superficiais que mais pareciam cumprir uma formalidade do que garantir a proteção efetiva do público. O posicionamento soou como uma tentativa de demonstrar preocupação, mas acabou reforçando a impressão de que a assistência municipal foi conduzida de forma displicente, quase simbólica, apenas para transmitir a ideia de que o poder público estava presente.

O festival ‘Passo a Paço 2025’, promovido pela administração do prefeito David Almeida com o intuito de atrair o público por meio de apresentações de artistas de renome nacional, transformou-se em cenário de tumulto, desorganização e descaso em relação à população.

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