Na mesma quarta-feira, 10 de dezembro de 2025, em que a Câmara Municipal de Manaus (CMM) aprovava, em regime de urgência, um empréstimo de até US$ 195 milhões, cerca de R$ 1 bilhão, solicitado pelo prefeito David Almeida (Avante), um outro tipo de celebração acontecia nas ruas da capital.
Na Rua Criciúma, no bairro Cidade de Deus, zona leste, moradores decidiram “homenagear” a gestão municipal com uma festa inusitada: bolo, refrigerante e uma mesa decorada com balões, tudo montado exatamente em cima dos buracos que, segundo eles, estão há dois anos sem reparo.
O vídeo divulgado nas redes sociais mostra a cena em tom de ironia: “Tem até bolo!”, diz um morador.
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A coincidência entre o ‘aniversário’ do buraco e a aprovação do mega empréstimo revela um contraste evidente: enquanto a prefeitura afirma buscar recursos para “organizar as contas”, grande parte da população convive diariamente com problemas básicos, sem respostas, sem prazos e sem solução.
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Um bilhão aprovado às pressas
A autorização para contrair o empréstimo passou com 27 votos favoráveis e 6 contrários. Votaram contra: Rodrigo Guedes (Progressistas), Ivo Neto (PMDB), Thaysa Lippy (PRD), Sargento Salazar (PL), Capitão Carpê (PL) e Coronel Rosses (PL).
Na Mensagem 103/2025, enviada por David Almeida, o prefeito afirma que não se trata de um novo endividamento, mas de uma substituição de dívidas antigas por outra com juros menores, dentro do Programa de Eficiência Fiscal e Ambiental (Proefis Manaus).
Segundo a prefeitura, a operação permitirá:
- Economia de R$ 100 milhões com a redução dos juros;
- Abertura de R$ 900 milhões em espaço fiscal nos primeiros sete anos;
- Alívio de R$ 200 milhões já no primeiro ano;
- Maior margem para investimentos e apoio do Banco Mundial em projetos ambientais.
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O que diz a Prefeitura
Em nota, o Executivo municipal reforçou que a operação não representa novo endividamento, mas sim a troca de passivos antigos por um contrato com juros menores.
O governo municipal também destaca que a parceria inclui apoio a projetos de bioeconomia, crédito de carbono, saneamento, construções sustentáveis e ações de adaptação climática por meio do Programa de Parcerias de Investimentos de Manaus (PPI/Manaus).
A Prefeitura afirma ainda que a operação segue os parâmetros de responsabilidade fiscal e não deve gerar impactos negativos nas contas do município.

