Se nos bastidores o “bicho pega”, com disputas por poder, acordos e pernadas, na frente das câmeras e do eleitor a ordem é sorrir, abraçar, beijar e ser o mais simpático possível para conquistar o povo na fase de pré-campanha. Após o anúncio da filiação do vice-governador Tadeu de Sousa ao PP, as garras se afiaram, a luta pela sobrevivência na “selva política amazonense aumentou”, mas nas redes sociais, tudo são flores.
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Tadeu, David Almeida (Avante), Omar Aziz (PSD) e Maria do Carmo (PL), não podem pedir votos e nem mesmo se declararem candidatos, a Lei Eleitoral não permite até que as convenções no meio do ano homologuem seus nomes. Resta então a velha tática de tomar aquele cafezinho na rua, comer o famigerado pastel de feira, afagar bebês e provar que são “gente como a gente”.
TADEU DE SOUZA MUDOU DA ÁGUA PARA O VINHO
Certamente a filiação ao PP não foi a única estratégia do vice-governador Tadeu de Souza. Nos últimos meses o mais novo filiado ao grupo do governador Wilson Lima caiu para dentro das redes sociais, “bombou” os registros das agendas e topou o primeiro desafio: tornar-se tão conhecido quanto os demais candidatos.
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Não à toa Tadeu passou a cumprir compromissos oficiais com a população, passou a responder caixinhas de perguntas dos seguidores, gravou vídeo contando sua história de vida, e apelou para a emoção.

Turbinado pela máquina do Governo do Amazonas, sobram estrutura e atividades para postagens nas redes sociais. Se não pode pedir votos, Tadeu aproveita as chamadas “entregas” para treinar o corpo a corpo com a população.
DAVID ALMEIDA MISTURA CORAÇÃO PARTIDO COM POLÍTICA
A profunda dor pela perda do filho recém-nascido trouxe ao prefeito de Manaus o acolhimento que só uma tragédia desse tamanho poderia dar. Nesta quinta-feira (12), o chefe do Executivo Municipal abriu uma live ao lado da primeira-dama, Izabelle Almeida.
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Na fala do prefeito, misturou-se a tristeza pelo momento de luto com a política. David revelou que conversou com Tadeu de Souza e disse a ele que não poderia fazer mais nada para ajudá-lo, ressaltando que fez do amigo de infância Procurador-Geral do Estado, Chefe da Casa Civil Municipal e vice-governador. “O Tadeu quer ser governador”, constatou, sabendo que seus planos de contar com a máquina estadual para ser candidato ao Governo naufragaram.
Sobram lágrimas pela partida do filho, faltam respostas sobre o futuro. David Almeida não disse se continuará com os planos de ser candidato, mas deixou escapar que o vice-prefeito Renato Júnior está pronto para assumir a Prefeitura.
A “brincadeira” propositalmente falada com os microfones ligados passa longe da inocência, e soa como estratégia para avisar que não desistiu do jogo.
MARIA DO CARMO SORRI, MAS “FRITA” NO FOGO BAIXO DO PL
Talvez nenhum dos nomes listados como pré-candidatos tenha mais necessidade de apostar na simpatia para se manter na disputa. A empresária Maria do Carmo Seffair tem feito uma verdadeira maratona no interior, onde é uma figura pouco conhecida.
A falta de experiência no setor público explorada pelos adversários é outra barreira que a pré-candidata precisa pular, tanto quanto tenta atravessar a fogueira do PL. O crescimento da ideia de que o partido de Bolsonaro pode se juntar a Wilson e lançar candidato a vice na chapa de Tadeu de Souza apressou Maria a desmentir a ‘conversa fiada”, fantasma que a persegue desde as eleições municipais em 2024, quando foi “rebaixada” a vice de Alberto Neto.
OMAR AZIZ TENTA APAGAR IMAGEM DE POLÍTICO ISOLADO
O senador Omar Aziz, que para muitos “queimou a largada” e agora paga o preço da desidratação precoce, é mais do que treinado para fazer o papel de pré-candidato sorridente.
Acostumado às obrigações de por o pé na rua para ganhar as eleições, não tem a menor dificuldade no quesito “simpatia”.
Nos bastidores o desafio é amargo. Abandonado por David Almeida, assistindo Wilson Lima formatar um grupo de centro-direita e aparentemente isolado, o senador precisa apostar na popularidade conquistada no interior, enfrentar o bolsonarismo que domina Manaus, e preparar a armadura de quem vai para a guerra mais com a experiência de um veterano combatente, do que com aliados, hoje resumidos ao senador Eduardo Braga, ao presidente Lula e ao pré-candidato ao Senador, Marcelo Ramos.

