Engajar, viralizar, compartilhar, aproveitar o hype. Acabou o tempo que ser político era apenas uma questão de estratégia, ideologia e plano de governo. O negócio agora é conseguir likes, seguidores e vencer o adversário nas redes sociais. Políticos viraram influencers, produtores de conteúdo.
SALAZAR PUXA A FILA NO AMAZONAS
Nenhum político no Amazonas conseguiu fazer essa leitura melhor do que o vereador Sargento Salazar (PL). De tanto “bombar” nas redes sociais, ele entrou no ranking dos políticos mais importantes do Brasil no quesito “influenciador digital”.
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De acordo com o MONITORABR, Salazar e políticos que lideram esse ranking, seduzem internautas com a mesma habilidade que políticos no passado atraíam a população para os famosos “showmícios”. A política na rede social é um espetáculo.
“No turbilhão do ecossistema digital, onde cada interação vale ouro, o Instagram se consolidou como o palco principal da influência no Brasil. Mais do que fotos e vídeos, a plataforma é um verdadeiro termômetro de narrativas, reputações e tendências, especialmente no universo político”, afirma o estudo mais completo do Brasil.

Em que pese a atuação parlamentar de Salazar fique em segundo plano, a rede social virou um foguete de propulsão poderosa. Salazar está virtualmente eleito deputado federal, com capacidade para puxar mais um do PL com a expectativa de votos recorde que ele deverá ganhar.
AMOM MORDE E ASSOPRA
Quem começou a saga dos influenciadores em Manaus foi o deputado federal Amom Mandel (Republicanos). A linguagem jovem engajou e ele acabou eleito vereador mais jovem da Câmara Municipal de Manaus, em 2020.
Ainda que seja beneficiado pelas redes sociais, o parlamentar às vezes se diz vítima do mesmo canhão. Em e 2022, a Justiça do Amazonas deu ganho de causa a Amom contra o Facebook, a quem ele acusou de aceitar perfis falsos e robôs que teriam atacado o Instagram do então candidato.
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Dois anos depois, teve a maior votação proporcional do Brasil para deputado federal. Porém, agora, se viu “apertado” pelo próprio discurso, a ponto de ficar com poucas opções para se acolher em uma chapa competitiva.
Ainda que seja bom de rede social, a política segue exigindo que políticos sejam bons no tabuleiro dos acordos. Amom acabou se filiando ao partido de Silas Câmara, e tenta agora provar que, morando na casa do deputado confessou fazer “rachadinha”, não é igual a ele.
NIKOLAS, O “PROFESSOR”
Vem de Minas Gerais o “professor” de todos os políticos nas redes sociais. Nikolas Ferreria não deixa passar uma em branco.
CPMI, Lei da Misoginia, PIX. Tudo é assunto para gongar a oposição. Estudos mostram que a direita bolsonarista segue articulada nas páginas da Internet, ainda que isso não seja suficiente para ganhar todas as eleições, como provou a disputa vencida por Lula (PT) sobre Jair Bolsonaro.
Um exemplo atual é o terceiro colocado no ranking nacional de políticos influenciadores. Rodrigo Manga (Republicanos), que só perde para Nikolas e Bolsonaro, foi afastado do cargo de prefeito de Sorocaba, acusado de montar um esquema de corrupção.
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Liderar rankings de influência digital é importante, sim, mas a vida real ainda é o carro chefe, onde as decisões são tomadas e as consequências dos atos materializadas.

Quem será o próximo cancelado?

