Destaque Geral

Lula convida Trump a participar de base internacional em Manaus contra facções

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a Casa Branca, em Washington, após encontro com Donald Trump, e citou uma base internacional em Manaus, contra o tráfico, após três horas de reunião, convidando o americano a fazer parte desse sistema referido pelo petista na capital do Amazonas.

Falando com a imprensa, ele disse que temas delicados como PCC e CV não foram tratados, mas que entregou um documento a Trump sobre o que o Brasil faz e deseja, e que facções não vão tomar conta das ruas .

Lula citou Manaus nos EUA como exemplo de combate ao crime organizado.

“Estamos levando muito a sério essa questão do crime organizado. (…). Nós criamos uma base na cidade de Manaus, para combater o crime organizado, o tráfico de armas, de drogas nas fronteiras brasileiras, com participação de delegados da polícia de todos os países da América do Sul, se os EUA quiserem compartilhar e participar conosco, está convidado”

O encontro durou cerca de três horas, com participação de ministros de ambos os países. Em postagem nas redes sociais, Trump informou que discutiu com Lula “muitos tópicos”, incluindo questões comerciais e tarifas.

LEIA MAIS: Renato Júnior pede a Roberto Cidade que Governo ajude a tapar os buracos de Manaus

“A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”, escreveu o presidente norte-americano, que chamou Lula de “muito dinâmico”.

O assessor internacional da Presidência, embaixador Celso Amorim, avaliou como “muito positiva”. Lula disse que deixou claro que o Brasil não abrirá mão “da democracia e soberania”.

“Agora Trump vai pensar duas vezes antes de tomar decisões contrárias a nossos interesses. [Lula] Ter usado a palavra soberania foi essencial”.

Lula chegou à Casa Branca pouco depois do meio-dia (horário de Brasília). O encontro foi previamente negociado pelas equipes dos dois países, com a expectativa de tratar diversos temas, como comércio, combate ao crime organizado, além de questões geopolíticas e de minerais críticos.

Washington (DC), 07/05/2026 - Presidente da República, Luíz Inácio Lula da Silva, chega para encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula chega para encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca – Foto: Ricardo Stuckert/PR

No mês passado, Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas.

A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões feitas nas aduanas dos dois países, de forma a viabilizar uma investigação célere de padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.

Fazem parte da comitiva presidencial os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Histórico

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos atravessa, desde 2025, uma fase de tensões decorrentes da política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump, que retomou medidas protecionistas já observadas no seu primeiro mandato.

O ciclo de disputas começou com a imposição de tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, afetando diretamente o Brasil – um dos principais fornecedores desses produtos ao mercado norte-americano.

As justificativas apresentadas pelos EUA para tais medidas combinavam argumentações econômicas e políticas.

Houve também críticas à Suprema Corte do Brasil, no contexto das decisões do Judiciário brasileiro relacionadas ao processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelos atos golpistas que culminaram com o 8 de janeiro de 2023.

Em abril, os Estados Unidos adotaram tarifas adicionais sobre diversos produtos brasileiros, sob o argumento de falta de reciprocidade comercial. O governo brasileiro intensificou algumas tratativas diplomáticas e, mais adiante, levou o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Além disso, o Brasil fortaleceu alguns de seus instrumentos legais, como medidas de reciprocidade e retaliação, na tentativa de evitar uma escalada ainda maior por parte do governo dos EUA.

No fim de 2025 e no início de 2026, houve recuo parcial dos Estados Unidos, com exclusões de produtos e substituição do tarifaço por uma tarifa global temporária de cerca de 10%. Setores como aço e alumínio, porém, seguem com taxas elevadas.

Leia também

Yara contrata buffet por milhões
Destaque TCE-AM

Banquete no TCE-AM: Yara Lins assina R$ 2,6 milhões em buffet na Corte de Contas

A presidente da Corte de Contas mais importante do Amazonas, conselheira Yara Amazônia Lins, garantiu um belo banquete aos conselheiros
Prefeito Thomé Neto, firma novo contrato com família Cidade
ALEAM Destaque Prefeituras do Interior

Thomé Neto firma novo contrato milionário com empresa da família de Roberto Cidade

O prefeito de Autazes, José Thomé (PP) conhecido no município como Thomé Neto, firmou mais um contrato milionário com a empresa R R