Com um simples despacho administrativo, o prefeito de Anori, Regis Nazaré (Republicanos), homologou a liberação de R$ 5.460.140,74 para a construção de uma escola de educação infantil na comunidade Ayapuá. O valor expressivo chama atenção não apenas pelo montante milionário, mas principalmente pela ausência de informações claras e detalhadas sobre como o dinheiro público será efetivamente utilizado.
No documento oficial publicado pela Prefeitura, não constam dados essenciais como cronograma físico-financeiro da obra, etapas de execução, critérios técnicos do projeto, metragem da construção ou justificativas consistentes que expliquem o custo elevado do empreendimento. A falta de transparência compromete o direito da população de acompanhar e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.
Confira o documento

A decisão consta no Despacho de Adjudicação e Homologação da Concorrência Pública Eletrônica nº 007/2025, que declara vencedora a empresa G P Ferreira Ltda, inscrita no CNPJ nº 22.546.744/0001-49. Ainda assim, o cidadão não encontra no processo informações suficientes que garantam o controle social e a lisura do investimento. Em um município marcado por carências estruturais e demandas urgentes em áreas como saúde, infraestrutura e saneamento, o silêncio da gestão municipal causa estranheza.
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Contrato e contratada chamam atenção
Outro ponto que merece atenção é o perfil da empresa contratada. Localizada no Centro do município de Manacapuru, a G P Ferreira Ltda tem como atividade principal a fabricação de estruturas metálicas, possui capital social de R$ 1.150.000,00 e tem como sócio Gonzales Pinheiro Ferreira. A discrepância entre o capital social da empresa e o valor do contrato milionário levanta questionamentos que não foram esclarecidos pela Prefeitura.
Embora a construção de uma escola infantil seja, em tese, uma iniciativa positiva, o que se critica é a condução do processo pelo prefeito, marcada por decisões burocráticas, apressadas e pouco transparentes. Um investimento superior a cinco milhões de reais exige explicações públicas robustas, audiências, ampla divulgação do projeto e clareza absoluta sobre cada centavo gasto, o que, até o momento, não ocorreu.
Ao homologar o certame sem fornecer informações técnicas acessíveis à população, Regis Nazaré reforça uma prática recorrente na política local, decisões de alto impacto financeiro tomadas longe do olhar da sociedade, enfraquecendo a confiança pública e alimentando dúvidas sobre a real eficiência da gestão municipal.
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