A mobilização deste fim de semana da direita em Manaus colocou em evidência a pré-candidata ao governo do Amazonas pelo PL, a empresária Maria do Carmo. Entre discursos inspirados no ex-presidente Jair Bolsonaro e palanque, a dona da Fametro começa a encarar as contradições de quem se expõe à vida pública. E a lista não é pequena.
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“Todes, armas e dissonância com Flávio Bolsonaro”
O primeiro embate de Maria do Carmo com o campo ideológico que ela diz defender ocorreu no fim de semana, ao ser questionada sobre o termo “todes”. É que em busca de amenizar os danos com o eleitor de esquerda, Flávio Bolsonaro fez um aceno à adaptação de gênero, o que despertou o desacordo com a aliada no Amazonas.

Maria do Carmo, que é professora, se recusou a apoiar Flávio nessa estratégia. Acabou, numa única fala, desagradando a direita bolsonarista que faz “tudo o que seu mestre mandar” e a esquerda, defensora da linguagem neutra.
O morde e assopra da pré-candidata culminou, mas mesma entrevista à Onda Digital sacando a arma do bolso. Maria do Carmo defendeu a política de armar os cidadãos, e foi criticada pela transferência ao cidadão da Segurança Pública, dever do Estado.
O “fator Alfredo”
Mas a maior “pedra no sapato” pode estar dentro de casa, e no caso de Maria do Carmo chama-se Alfredo Nascimento. Ex-ministro de Lula e Dilma, o agora político de direita subiu no trio elétrico ontem para dizer que o Amazonas precisa de uma governadora capaz de dar segurança, saúde e desenvolvimento.
Só esqueceu de dizer que sua família ganhou cargos no governo Wilson Lima (UB), a quem Alfredo chamou de governador preocupado com o povo.
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E ainda disse que Wilson Lima é um governador bom, como há muito tempo não se via.
Neste fim de semana, porém, Alfredo “esqueceu” o Wilson competente e “desceu a lenha”.
Ficam os desafios para uma candidato sem experiência, que tenta ser a representante da “nova política”, cercada de veteranos e velhas estratégias que os políticos usam em tempos de eleição, e que Maria precisa encarar de frente, seja qual for o tamanho da contradição entre o que ela diz e o que se vê de fato “nas quatro linhas da democracia”.

