Um caso de intolerância política causou revolta entre educadores que se solidarizaram com a professora Helma Sampaio, em Manaus, por ela ter atendimento negado nesta segunda-feira (26), numa UPA, após revelar para a médica que havia votado em Lula (PT), no segundo turno.
O caso de intolerância política foi denunciado na polícia, na Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e nas redes sociais, causando o afastamento da médica Marilene Maia Rios.
Helma Sampaio deu entrada na UPA José Rodrigues, na Zona Norte de Manaus, sentindo problemas de pressão, segundo ela, em relato à médica, causado por ansiedade, devido à expectativa para saber quem seria o vencedor na disputa Lula x Flávio Bolsonaro (PL).
Foi a partir do momento em que revelou ter votado no candidato do PT que, segundo a denúncia, a médica resolveu debochar da paciente além de se recusar a atendê-la e ameaçar quebrar o celular dela.
“Eu lhe disse que eu tinha votado no Lula, e a partir daí a médica começou a querer me humilhar, com muita arrogância”, relatou em vídeo e em uma carta escrita à mão.

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A denúncia resultou em uma onda de apoio à professora, que partiu tanto de educadores quanto da sociedade em geral. Num país polarizado, eventos de violência cada vez mais comuns ameaçam a democracia e liberdade de expressão.
AFATASMENTO
Por conta da denúncia, a Secretaria Estadual de Saúde (SES), afastou a médica. “A Secretaria não compactua com esse tipo de conduta, considerada incompatível com os princípios éticos”, diz, em nota.
Lula venceu o pleito com mais de 4,4 milhões de votos de diferença, vencendo inclusive no Amazonas.
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Veja o depoimento da professora:
NOTA DE MÉDICA:
Após a repercussão do caso, a médica acusada pela professora negou que tenha se recusado a atender a professora. Ela afirma que sempre agiu de forma ética e que vai provar inocência.
Veja a nota da médica na íntegra:
“A médica MARILENE MAIA contesta expressamente a acusação de que teria recusado atendimento à paciente HELMA SAMPAIO por preferência política. Trata-se de uma imputação grave, que atinge sua honra e sua reputação profissional e que não deve ser apresentada como fato comprovado sem a devida apuração.
Cuidar da saúde exige atenção, respeito e acolhimento. É com esse mesmo respeito que a médica Marilene Maia apresenta sua versão sobre o episódio divulgado nos últimos dias e nega ter recusado atendimento por preferência política.
Segundo a médica, a paciente Helma Sampaio procurou a Unidade de Pronto Atendimento – UPA JOSÉ RODRIGUES, bairro Cidade Nova, Manaus/AM, no dia 26/10/2026, segunda-feira, à noite, por alteração da pressão arterial e, durante a consulta, associou seu nervosismo às eleições.
A médica informa que, ao colher a história clínica da paciente, notou que ela se encontrava agitada, nervosa e exaltada. Como parte da história clínica, buscou informações a respeito das causas que a levaram a se encontrar nesse estado de saúde.
A paciente relatou que achava que seu candidato iria perder. A médica, de forma a aliviar toda essa tensão, perguntou em qual candidato ela havia votado, tendo ela respondido que votou no Lula. A Dra. Marilene informa que respondeu à paciente dizendo que ela deveria estar feliz pela vitória do seu candidato.
A médica inclusive informou que havia votado no outro candidato e que era vida que seguia e que ela deveria trabalhar normalmente. Após a médica informar o nome de quem ela havia votado, a paciente se levantou revoltada, não querendo ser atendida pela mesma, afirmando que não queria mais ser atendida e que queria ser atendida por uma médica de verdade. A mesma afirmou várias vezes: “Você é médica? Pois eu quero ser atendida por uma médica.”
A Dra. Marilene afirma que não mantém nem jamais publicou manifestações político-partidárias em suas redes sociais, por entender que a preferência eleitoral pertence à esfera pessoal de cada cidadão. Segundo a profissional, a referência ao seu voto surgiu exclusivamente no contexto da conversa relatada e não representou tentativa de promover discussão partidária durante o atendimento.
Quanto à alegada atuação sindical e às manifestações políticas da paciente Helma Sampaio, a médica ressalta que essas escolhas devem ser respeitadas, assim como as suas, e não podem servir de fundamento para tratamento desigual ou acusações sem comprovação.
O Código de Ética Médica, em seu art. 36, § 1º, admite que o médico renuncie ao atendimento quando circunstâncias comprometam o relacionamento com o paciente ou o pleno desempenho profissional, desde que comunique previamente essa decisão, assegure a continuidade dos cuidados e forneça as informações necessárias ao profissional que o suceder.
Segundo Marilene, a assistência já havia sido iniciada e teve continuidade com outra médica de plantão. A profissional sustenta que o encaminhamento buscou preservar o cuidado à paciente e nega que tenha havido recusa de assistência por preferência política.
A gravidade de uma denúncia exige responsabilidade de quem a apresenta e de quem a divulga, inclusive com imagens da profissional. O esclarecimento do episódio deve considerar os registros assistenciais, os relatos dos envolvidos e a íntegra de eventuais gravações. A repercussão de uma acusação não substitui a comprovação dos fatos.
Diante da exposição de sua imagem, a Dra. Marilene informa que buscará, por meio de sua assessoria jurídica, a apuração das responsabilidades e a avaliação das medidas cíveis e criminais cabíveis em relação às declarações e publicações sobre o episódio. Eventuais falsidades, ofensas ou abusos serão objeto das providências juridicamente adequadas.
A profissional solicita aos veículos de comunicação que incluam este esclarecimento em suas publicações, distingam denúncia de conclusão comprovada e corrijam eventuais informações inexatas.
Por respeito ao sigilo médico e à privacidade da paciente Helma Sampaio, documentos de saúde e informações clínicas detalhadas serão preservados e apresentados pelos meios adequados, quando cabível.
A Dra. Marilene reafirma seu compromisso com uma assistência respeitosa e sem discriminação. Defenderá, com a mesma firmeza, seu direito à honra, à imagem e à apuração responsável dos acontecimentos”.
Manaus, 28 de outubro de 2026.
MARILENE MAIA RIOS
CRM/AM 2713

